Na madruga do último sábado, dia 19, mais um caso de negligência médica que resulta em morte no Hospital São José, em Ilhéus, Bahia. Um recém nascido morreu horas após o parto por simples e única culpa do atendimento médico recebido, desde o obstetra até a pediatra que estavam de plantão.
Segundo relato, a paciente gestante chegou durante a madrugada no hospital e o médico obstetra entendeu que aquela não era a hora do parto e forçou a paciente a esperar o próximo dia e o novo plantonista. O bebê fez um grande esforço para nascer e terminou engolindo fezes e líquido amniótico, o que ocasionou uma infecção e a morte. A médica pediatra que estava de plantão naquela madrugada pouco fez para evitar o pior. O atendimento que o bebê recebeu foi insuficiente para o seu estado de gravidade.
A morte do bebê foi o saldo de mais um plantão negligente naquele hospital, que já está acostumado com este tipo de situação. Os funcionários estão sem receber salários há pelo menos três meses e os médicos a um mês. Inclusive, o hospital está funcionado em estado de greve há alguns dias, segundo eles respeitando os 30% previsto por lei. Vale lembrar que neste hospital funciona a única maternidade pública do município.
Então, eles fingem que atendem e o poder público finge que não vê. Entendo todo o direito do profissional de saúde em querer protestar. O que não consigo entender é o compromisso do profissional de saúde com a vida humana e com os juramentos feitos. Será que existem compromissos maiores do que a vida?
No final das contas quem sofre mesmo é a família da criança que voltou para casa somente com o atestado de óbito e uma triste lembrança, mesmo depois de uma gestação saudável e um bebê perfeito.
Quantos mais irão morrer para que possamos de uma vez por todas acordar? Quantos ainda irão sofrer com o atendimento precário na saúde pública? Quantas vidas ainda precisam virar estatística para que o poder público intervenha e tome medidas serias?


Enviada por Camile Maltez

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