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PONTAL – NAUFRÁGIOS QUE NÃO ENTRARAM PARA A HISTÓRIA DA MARINHA.

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Apesar de serem bem mais recentes que outros naufrágios ou ocorrências marítimas transcorridas em Ilhéus, os navios AREIA BRANCA e URUBATAN, não há nenhum registro na Capitania dos Portos da cidade.

O navio “Areia Branca”, que ficou a deriva em alto mar, encalhou nas praias de Ilhéus em 1957/1958, no local até hoje chamado de Acuípe, próximo dos limites entre Ilhéus e Uma.

E por falta de registro, tudo que sabemos, faz parte da nossa memória, apesar de que naquela época tínhamos aproximadamente seis anos. Daí ainda ficarmos em dúvida quanto à denominação do navio se realmente “Areia Branca” ou outro nome de origem alemã, devido objetos nele encontrado daquele país. Só me resta de lembrança quanto a isto, que o local propriamente dito, até hoje se chama Areia Branca no Acuípe.

Lembramos perfeitamente da “procissão” de caminhões daqui do Pontal, que circularam pelas praias (único local de tráfego naquela época), nas madrugadas, até o navio, para dele “saquear” a sua carga e objetos componentes do seu dia a dia, que encalhou na praia, sem nenhum tripulante ou passageiro.

Da carga ainda nos faz lembrar: galões de tintas, tecidos, óleos combustíveis, etc.; e materiais de uso do navio como: relógios de marca alemã, armários de vestuários de excelente qualidade, que até pouco tempo ainda estavam intactos e que só foram desfeitos devidos o peso, nas mudanças. Sem se falar em objetos de mesa, cama e banho.

Também não esquecemos numa destas madrugadas de depararmos com uma tartaruga gigante, que naquele exato momento se dirigia para o mar, depois de desovar nas areias do local, e foi capturada simplesmente como um passo de mágico, pelos faróis acesos, que a fez ficar “hipnotizada”. No outro dia foi morta para consumo, numa festa à beira mar da Fazenda Cana Brava de meu pai Laudelino Rezende Mendonça. E como não lembrar a quantidade de ovos que deu para encher uma lata de querosene ESSO. Nós a criançada nos contentava em deliciar aqueles ovos cozidos e sal.

Vejam quanta coisa, que hoje jamais faríamos. No meu modo de pensar tudo tem uma razão de ser, ou falta de conhecimento dos adultos ou levados pela fartura existente nesta faixa de praia, ou até mesmo por divertimento.

Quando falamos que não entraram para a história, é porque procuramos a Capitania dos Portos em 2011, para ver se podíamos resgatar dados mais preciso sobre os navios Areia Branca e Urubatan e para nossa surpresa nada constava nos livros de registro, desta instituição.

É lamentável, pois no caso do incêndio (explosão) do navio Urubatan, deu-se no cais do porto, com tripulantes a bordo, mesmo tendo conhecimento extraoficial que não houve mortes. Mas, fomos informados depois da publicação do livro, mais precisamente em 06 de maio de 2011, via e-mail por Antonio Andrade Silva, que mora no Rio de Janeiro, afirmando que João Cândido Sobrinho, que era um dos tripulantes, nunca mais retornou a sua terra natal, e até hoje nada sabem, se morreu ou simplesmente “aproveitou” o ensejo e por aqui ficou, sem nenhuma comunicação com seus parentes.

Eis o texto do e-mail: “Procuro um primo de nome: JOÃO CÂNDIDO SOBRINHO, filho de: JOSÉ CÂNDIDO DA SILVA e MARIA MADALENA DE JESUS. Segundo seu irmão Nelson Cândido Sobrinho, ele estava em um navio de Santos a Ilhéus de nome URUBATAN. Gostaria de alguma informação sobre ele”.

Abraço, Antonio Andrade Silva andradea@hotlink.com.br

 

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Tudo que a Marinha agora tem conhecimento deve-se ao fato do nosso relato no livro do Pontal – Ontem & hoje – Memórias, sobre o navio Urubatan e agora terá conhecimento deste naufrágio na costa de Ilhéus com o navio Areia Branca, que não citamos no livro, por não está fazendo parte diretamente do bairro, que foi uma pena não termos relatado isto no livro.

Tomara que apareça, alguém que nos comentários informe aos ilheenses mais detalhes do navio Areia Branca, pois o Urubatan têm dados da memória publicada no livro, que descrevemos aqui: No ano de 1959, quando se encontrava atracado no porto de Ilhéus, para descarregar algo em torno de 200 tonéis (barris), contento óleo betuminoso (tipo asfalto), começou a pegar fogo, sendo de imediato rebocado para a praia da Ponta de Eustáquio, como era conhecido o trecho que ia da atual entrada da Sapetinga até o atual Restaurante “Boca Du Mar”.

Foi arrastado para este local por medida de segurança, pois nesta época era uma praia deserta e longe da área urbana do Pontal. Inicialmente este navio, mesmo todo queimado, ficou inteiriço, só por volta de 1967, com os constantes arrebento do mar, o navio partiu-se em dois e depois aos poucos foram retirando seus pedaços. Este local era outro ponto atrativo das crianças e jovens do bairro, que nas “marés baixas”, se aproximavam do navio para pescar nas lagoas que se formavam em torno do mesmo. Ali pescávamos siris, moreias, corre-costa, bagres, robalo, carapeba, etc.

Bom, até pouco tempo ainda restava na Praia do Acuípe, restos do casco do navio Areia Branca, inclusive seu mastro era visível há mais de 10 km de distância pela praia. Prometo que em breve voltarei ao local para fotografar o que ainda resta, para que fique mais este registro na nossa história, que está se perdendo pouco a pouco. Esta praia já foi um excelente local para pescaria de molinete. Hoje como vem acontecendo em todo Brasil estes pontos estão cada vez mais escassos.

José Rezende Mendonça

5 respostas para “PONTAL – NAUFRÁGIOS QUE NÃO ENTRARAM PARA A HISTÓRIA DA MARINHA.”

  • Amado Mestre,

    Você é a biblioteca viva da cidade de Ilhéus.

    O seu legado para a nossa cultura está se tornando um acervo importantíssimo para o futuro, quem sabe um dia possa ser utilizado e visto pelas novas gerações.

    PARABÉNS cara!

    ZÉCARLOS JUNIOR

  • Luiz Antonio peixer filho says:

    Boa tarde….

    li sua materia e desde ja afirmo que morreram muitas pessoas nesta tragedia um dos tripulantes era meu avo e morreu a bordo…
    Manoel luiz da silva…
    saiu um jornal na epoca que da os nomes do desaparecidos…
    tenho este jornal comigo ate hoje….
    abraços…

  • sergio says:

    Olá! Meu pai me contou uma história sobre um navio que encalhou próximo ao morro do pernambuco de frente para o alto mar, ele nessa época, início dos anos 60 estava de serviço na corveta Caboclo unidade da Marinha do Brasil ainda hoje na ativa em Salvador, chegou o comunicado via código morse, comunicação da época. e chegando a Ilhéus de pois de 08 hs de viagem de Salvador até aqui, ainda encontrou o navio todo aceso. Tentaram rebocar mas foi em vão, ele sentou na pedra e perfurando o casco ficou preso. Era navio de carga geral. Não sei o nome mas me informarei. Grato !!! Esse se encontra nos registros da marinha.

  • Eduardo Badaró says:

    Vejam essa versão da mesma história.
    Qual a verdadeira?

  • Calebe says:

    Meu pai estava era tripulante do Urubatan

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