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PONTE DO PONTAL – RAZÕES TÉCNICAS

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Volto ao assunto por achar salutar os contraditórios na forma cada vez mais para separar o “eu” do todo.

O pontalense Edgard, muito conhecido e grande defensor das terras, que ora os índios estão invadindo e gerando outra contraditória sem fim. Suas inquietações são justas, pois neste país, a situação está tomando um rumo tão perturbador da ordem, que temos que ficar atentos mesmo.

É como nós, um vivido nas areias das ruas do Pontal e há de lembrar, que esta não é a primeira vez e nem será a última, das inquietações que iremos passar em razão do progresso, a não ser que paremos no tempo.

Em razão disto, vamos retornar aos artigos publicados, aqui mesmo no R2CPress e começar esclarecendo que não existem diferenças técnicas entre as plantas apresentadas pelo DERBA, com o que apresentamos, ou seja, quando utilizamos a expressão “adaptações”, é porque estas palavras são usadas cartograficamente, quando inserimos em desenhos originais de mapas, plantas, etc., servem para diferenciar uma da outra, com nossas nomenclaturas. E também servem, para evidenciar um original não muito legível e para melhor compreensão dos leitores. Nelas são possíveis as identificações de orientações de lugares, trajetos, posições adjacentes e muito mais, e com isso enriquecemos o material na visão da interpretação do observador. Mas, em momento algum fizemos “adaptações” que desfigurassem o projeto técnico, pois não sou especialista nesta área, e mesmo que fosse não caberia esta intromissão por questões éticas.

Também é estranho sabermos, que o crescimento de Ilhéus é centralizado. Será que o amigo esqueceu que o os bairros, Teotônio Vilela, Vila Nazaré, Nossa Senhora da Vitória, Hernani Sá, Nelson Costa, Jardim Atlântico, Loteamento Santa Felicidade, Santo Antonio de Pádua, Ilhéus II, São Domingos, Savóia, São José, e toda Orla Sul e Norte, que surgiram bem depois da nossa época seria CENTRO?

O que centraliza no Centro Histórico é a parte de um comércio arcaico, onde a minoria dos comerciantes se angustia quando se fala em descentralizar este comércio, e isto não pode ser alimentado pelo Poder Público.

O que Ilhéus precisa é PENSAR GRANDE, porque o progresso vai vir a pés, de aviões, de navios, de rodas e de trem, também se deixarem.

Não foi nossa querida Itabuna, quem enxergou a necessidade do semi anel viário. Lá como cá, também foi a maior polêmica por parte de alguns empresários, que alegavam perdas nas suas vendas, com o desvio através do semi anel.

Voltamos a repetir, para melhor compreensão, que quando falamos que não foi Itabuna e sim o DERBA, referimos a uma parcela da sociedade, como aqui, ou seja, é o “eu”.

Os que enxergam pontes como a solução entre a zona sul e a norte, talvez com o pouco de conhecimento, já perceberam que não existem opções de imediato para chegarmos ao centro da cidade, a não ser pelo complemento através do o anel viário ou rodoviário, que está planejado há décadas, para as mediações do Banco da Vitória. Ora, se já está difícil lutarmos por uma única ponte, imaginem duas naquelas imediações, porque lá teremos que atravessar o Rio Cachoeira e Rio Santana, que são dois grandes rios, para poder atingir o centro e a zona sul, tendo quase sempre em suas cabeceiras o manguezal.

Para entender melhor, elaboramos um mapa onde evidenciamos isto e tirem suas conclusões a lenga-lenga, que seria pelos os “eu” destes locais sugeridos. E disso, já falamos no artigo anterior, que é outra luta para se vencer finalmente uma batalha no presente, pois no futuro teremos mais obras viárias para acompanhar o progresso, a não ser que paremos no tempo, para vermos a banda passar.

Fica bem claro de novo “eu”, pois até o amigo Edgard, até mesmo afirma “que levou nos últimos oito anos torcendo e construindo como todo ilheense pela uma nova ponte e que não imaginava que quando ela viesse causasse tanta dor de cabeça”. Ou seja, se fosse noutro lugar não haveria tanta dor de cabeça, porque os problemas seriam de outros. Ora amigo Edgard, e dizer que nosso “eu” não fala mais forte!!!

Por outro lado, foi feito uma confusão danada, pois no nosso artigo anterior, parágrafo oitavo, fomos bem claro que a construção do Porto do Cacau, teve sim consequências ambientais, e a firmamos isto em vários outros artigos com fotos e mapas em épocas diferentes. O que afirmamos foi que não poderíamos comparar este impacto ambiental desta nova ponte pelo local ora sugerido e talvez definitivo.

Cheguei a afirmar em artigos anteriores, aqui mesmo no R2CPRESS, que se nada fosse feito, inclusive com uma boa dragagem, a tendência em médio prazo seria o fechamento total da atual “entrada da barra”, forçando as águas do Rio Cachoeira, abrir como era antes, nos idos dos anos 30/40, onde hoje está localizado o loteamento Nova Brasília, que formava um canal de acesso também ao oceano, onde inclusive não só navegava canoas, mas também embarcações de pequeno porte. Nas “marés cheias” estas embarcações preferiam entrar por este canal, cuja entrada era chamada de Barra das Caravelas, principalmente quando a “boca da barra”, na Baía do Pontal estava “braba”, ou violenta, como se dizia naquela época.

No futuro se isto vier acontecer, não será por causa da ponte e sim pela não dragagem periódica do atual canal de acesso ao mar.

Alegarmos, que o aterro que será realizado em cima da areia da praia, até nos parece que isto será a primeira vez a ser enfrentado por uma construtora. O amigo já esqueceu como foi construída a BA-001, no trecho Pontal/Una/Canavieiras?! Também não deu conta que ela é elevada e que as futuras ruas laterais, ora em andamento pelo governo federal, ficam bem abaixo da pista de rolamento asfaltada?! Pois é, em todo trecho foi realizado o aterro e elevação da pista por milhares de metros cúbicos exatamente em cima da areia da praia, e nem por isso mesmo, com atecnologia daquela época a estrada é um caos, como sugere o amigo, num curto trecho de aproximadamente de um km, quando a rodovia BA-001, seguramente tem um trecho aproximado de 30 km nestas condições dos 111 km existentes.

Se pensarmos grande, a “Rua do Ponto Chic”, será mesmo um calçadão e assim como outras do centro histórico. Quanto aos veículos pesados que inicialmente terão que passar pelas pistas já existentes, reforçam-se, ou será que no Rio de Janeiro, Santos, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, Natal e tantas outras, os ônibus que são veículos pesados não trafegam pela orla, ou será que em Ilhéus o “eu” sou “eu”?

Tecnicamente, posso explicar que as areias da praia são do tipo Quartzosa Marinha, onde crescem a vegetação típica como, a Ipomoea pés(l.) R. Br, conhecida popularmente como Salsa-da-Praia ou Pé-de-Cabra, ela tem um importante papel ecológico, que é o de evitar erosão ou deslocamento de areias, principalmente nas dunas, dentre outras, que normalmente se expandem entre a vegetação da Restinga, num relevo de Planície Litorânea, com um clima do tipo Af, das floresta tropicais, quente e úmido, sem estação seca, pluviosidade superior a 1300 mm/ano, fazendo de forma natural ou espontânea a renovação ao longo do tempo, nestas áreas, deixando de serem quaisquer entraves ambientais. E os solos que estão próximos das outras opções, são solos de mangues, hidromórficos e aluviais. Aí sim, o problema é de grande impacto ambiental, que levaria não só dois anos, que é a previsão para construção desta nova ponte, e sim “séculos por séculos, amém”.

Não queremos comparar “alho com bugalhos”, mas tudo é relativo e proporcional ao tamanho de cada cidade.

Como se ver amigo Edgard, você também esqueceu que para o bem do progresso, a maioria do povo ilheense ficou satisfeita com a desapropriação de uma QUADRA inteira, aqui mesmo no Pontal, para servir de estacionamento do o Aeroporto Jorge Amado.

Na época me lembro de que a minoria era exatamente os atingidos, e que tiveram a mesma agonia de vocês da Marambaia, que realmente não deixa de ser uma dor de cabeça. Mas, no final da história foram muito bem indenizados e ficaram surpresos com tudo que puderam realizar.

Então é assim, se realmente este projeto da ponte for à frente, é manter a união de vocês, cada vez maior, e lutar como lutaram os envolvidos citados a cima, para que as indenizações sejam justas e que ninguém saia perdendo com isso, pelo menos monetariamente, porque o trauma ficará por algum tempo. A vida tem destas coisas, eu que o diga, quando a BA-001, cortou em 1976 a propriedade Cana Brava, derrubando coqueiros, casa de trabalhador etc., nós fomos à luta e recebemos do DERBA, uma indenização justa, sem atropelarmos o progresso. Por aí você também perceberá, que cai por terra a insinuação discriminatória, alegada no seu texto, que só os pobres são atingidos nestas obras. Pelo que tenho conhecimento, 90% mais ou menos, dos proprietários dos imóveis, no trecho do Pontal a Canavieiras, eram de pessoas “bem de vida”.

Desculpem o texto longo, mas não tinha como explicarmos melhor a questão da nova ponte, pela nossa maneira de pensar, baseado numa experiência de mais de 40 anos, nesta área ambiental, com cartografia e aerofotogrametria, onde se incluem solos, vegetação, relevo, hidrografia, cadastramento e uso da terra, com fotos aéreas, imagens de radar e satélite.

Atenciosamente.

José Rezende Mendonça

5 respostas para “PONTE DO PONTAL – RAZÕES TÉCNICAS”

  • Paulo says:

    A cada dia fico mais sabido…obrigado Resende e Edgar….
    também fiz estudos durante a graduação sobre a caracterização das restingas de Ilhéus e durante a especialização sobre os manguezais.
    Tenho observado ao longo da nossa historia de Ilhéus que o meio ambiente ficou sempre em segundo plano basta olhar o crescimento horizontal desordenado da cidade….
    Com a construção dos novos empreendimentos…(ótimo para o progresso) e péssimo para a sustentabilidade da cidade…Vejo assim, no Brasil quando se realiza um grande empreendimento não se pensa na mitigação (reparação) dos danos ambientais para as áreas e populações atingidas…então cabe a nós moradores do pontal cobrar isso do poder público.

    abraço
    Paulo

  • Domingos D. Santos says:

    Rezende, Vc. tem algum mapa que mostre o “L”, ou seja a redução da largura que tem a Rua Marambaia na intersecção com a Hermínio Ramos? Alguém sabe informar o que houve ali? Faltou verba ou foram os ecologistas, porque sobre aquelas pedras onde houve a redução, habitam meia dúzia de baratas dágua? Para que o trauma das desapropriações seja amenizado, uma das pistas poderia seguir desfazendo o “L” lógico que com o devido aterro. Cabe a empresa responsável medir os custos e comparar – aterro x desapropriações.
    Quanto ao passeio existente na Rua Marambaia que passa em frente ao restaurante Mar Aberto, é sinuoso na parte que toca o asfalto. Se “passar a régua”, torná-lo reto, ganha-se também espaço, impactando também menos as desapropriações.
    Agora, claro que as que tiverem que ser feitas vão ser. É o bem comum que prevalece sobre o particular mas, essas e outras observações que puderem ser levadas em conta e colocadas em prática, vão amenizar o problema.
    Quanto à ponte vamos continuar torcendo que venham essa e muitas outras para o progresso de nossa região. E quanto ao tráfego, carretas e caminhões poderiam ser proibidos de transitar pela ponte nova / orla, mesmo porque não transitam pela Linha Verde nem pela orla de muitas outras cidades de norte a sul do Brasil. Mas primeiro, que venha a Ponte e rápido o resto depois se acerta nem que seja com a construção de mais uma. Rezende, parabéns pelas matérias que coloca neste site. Também pelo Q.I. acima da média.
    Domingos D. Santos

  • Astério Vieira says:

    Gostaria de dar outra sugestão para uma/outra ‘PONTE’, seria começando na Ponta da Pedra, como acesso de quem vem da Princesa Isabel e o acesso via Porto Pesqueiro, passando por debaixo da Lomanto Junior, cruzando o Rio Cachoeira atingindo o morro do outro lado no Jardim Pontal e saindo pelas ruas da Sapetinga. Essa ponte seria exclusivamente para veículos pequenos; teria que ser uma ponte como uma rampa de subida para que deixasse a navegabilidade do rio-mar livre, apesar de não passa por ali nenhuma embarcação de grandes alturas. Futuramente com a saída do Aeroporto para outro lugar esse acesso via Sapetinga cortaria a pista de aterrissagem direto para o bairro S. Francisco, Nelson Costa e Zona Sul em geral, por dentro, via a Av. Nossa Senhora Aparecida, ligando a Pontal-Buerarema.

  • JOSÉ REZENDE MENDONÇA says:

    Prezado colega Dominguinhos

    O mapa solicitado te enviarei via e-mail.

    Quanto aquele “L”, foi para atender o reclame dos órgãos ambientais, que justificaram que o cais de arimo, estava muito próximo dos recifes ou “arrecifes”, e com isto, prejudicando a cadeia de reprodução da fauna e flora marítima.

    O projeto ficou parado por um bom tempo, até a encontrada foi realizar aquele “L”, de aproximadamente 3 metros de largura para dentro da Rua Marambaia, e consequentemente diminuindo a largura da rua.

    Portanto, acho praticamente impossível a reversão deste “L”. É aquela velha questão que insisto sempre, quando agrada a uns, não agrada a outros, e assim será , não só aqui, mas no mundo inteiro.

    Sempre às ordens, colega
    Um abraço
    Rezende

  • IVAN Medeiros says:

    Caro Rezende: Sua argumentação é bem coesa e conciliadora, mas me diga uma coisa, onde se viu uma BR. 001 passar por um centro urbano sem qualquer planejamento urbanístico? Ilhéus precisa sim desafogar seu trânsito, e para isso há necessidade de uma descentralização e ao contrário, o que se pretende fazer é o avesso. O trânsito vai sim piorar pois o escoamento na parte da Av. Soares Lopes não existe, desembocará em gargalos tanto para um lado qto para o outro. Serão 4 pistas saindo na praia do Cristo não é isso? E…para onde irão as tartarugas que habitam por lá? Serão removidas? Há algum pensamento à respeito? Ou o RESPEITO será desrespeitado ? Fico PASMO em saber de ùltima hora um projeto tão estapafúrdio como este. Um reestudo amplo com responsabilidade e respeito ao meio ambiente, com olhares arquitetônicos de nossos arquitetos nativos que vivem aqui tipo Cores, Ely, Lolo, e tantos mais que temos, seria de bom alvitre, ao contrário do que foi feito. Na minha maneira de ver comparo a feitura deste projeto tal qual a um protético ( com todo o respeito) que fez uma dentadura sem medir a boca, e mais uma ponte que invade praias, desapropria 100 famílias, destrói uma escola com 600 alunos, causando um caos psico social e ainda bordeia um morro ( de Pernambuco) ofuscando-lhe o contorno, deixa sem saída 3 ruas prejudicando sua circulação e por fim transfere uma BR. 001 para dentro de um centro urbano… É inconcebível este traçado fora do lugar certo, e não precisamos ir longe, aqui mesmo perto a cidade de Jequié serve de exemplo com suas rotatórias e anéis viários contornando a cidade, sem constranger ou tumultuar. Há sim para Ilhéus várias opções,com vista a melhorar o transito caótico que aí está, mas com parcimônia inteligência e sem afã político. Finalmente que venha a ponte que nos UNA mas não nos tire a acalmia que sempre foi uma constante por aqui. Grato pela sua atenção e consideração. IVAN.

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