WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia





novembro 2026
D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  








Feira de negócios, Cozinha Show, escultura de chocolate e atrações culturais: Chocolat Bahia inaugura edição histórica em Ilhéus

Abertura do evento aconteceu nesta quinta-feira (23) e segue até o domingo (26) com programação gratuita no Centro de Convenções

Os principais agentes da cacauicultura e chocolateria nacional se encontraram em Ilhéus nesta quinta-feira (23) durante a inauguração da 17ª edição do Chocolat Bahia. A solenidade de abertura lotou o Centro de Convenções – espaço que vai sediar o evento até domingo (26) – e atraiu autoridades, produtores rurais de todo o estado, especialistas do agronegócio e profissionais da gastronomia.

Da passagem pelo túnel sensorial que simula uma plantação de cacau sob o sistema cabruca até os estandes e espaços culturais, consumidores, apaixonados por chocolate, munícipes e turistas foram atraídos pelas cores, aromas e sabores de uma diversidade de produtos derivados do cacau, especialmente o chocolate artesanal. De acordo com Marco Lessa, criador do evento, o Chocolat deixa um legado econômico e cultural para a região.

“O Chocolat Bahia movimenta a região, toda a cadeia produtiva do cacau do estado e o turismo. Estamos com uma ocupação hoteleira de quase 100%, além da visibilidade durante e após o evento para os expositores, com uma estimativa de R$25 milhões em negócios. Então, o impacto é altamente positivo: fortalece a imagem de Ilhéus como a capital do cacau, estimula os pequenos empreendedores, a agricultura familiar e todos os setores relacionados”, disse.

Fundado em 2009, em Ilhéus, e com 49 edições no Brasil e no exterior, o Chocolat Festival se transformou no maior evento do setor da América Latina, tendo o sul do estado – uma das principais regiões cacaueiras do país – como a principal vitrine. Para o prefeito da cidade, Valderico Júnior, o evento retoma a autoestima da região perante o mundo.

“Ilhéus é a capital nacional do cacau e chocolate e ficamos animados com as oportunidades geradas por esse evento que nasceu e cresceu aqui. Toda essa movimentação ajuda não só no consumo interno, mas, principalmente, mostrar o que temos de melhor, levar a nossa cultura e a qualidade do nosso chocolate para a Bahia, Brasil e pro mundo”, afirmou.

Para o Secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, o evento reforça o potencial turístico da região. “Foi um trabalho em conjunto do Governo do Estado com os produtores que nós tornamos Ilhéus em uma referência mundial na produção de amêndoa de cacau de qualidade e do chocolate. Hoje nós temos a Estrada do Chocolate, em que o visitante tem a oportunidade de conhecer a cultura sustentável do cacau e a transformação desse fruto num dos melhores chocolates do mundo. Isso amplia o fluxo turístico, aumenta o tempo do turista na região e gera mais emprego e renda”.

Com mais de oito mil metros quadrados de feira e quase 200 expositores, o Chocolat Bahia reúne uma programação diversa que envolve Cozinha Show, Atelier do Chocolate, atrações culturais, música, rodadas de negócios e uma vasta programação técnica com painéis de debates no Cacau Summit e o ChocoDay.

Circuito Mulheres Negras em Movimento promove mais de duas semanas de atividades gratuitas em Salvador

Salvador volta a celebrar a força, a ancestralidade e o protagonismo das mulheres negras com a segunda edição do Circuito Mulheres Negras em Movimento, promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), no âmbito do programa Salvador Capital Afro.

Lançado oficialmente nesta segunda-feira (20), na sede da Secult, no Comércio, o circuito reúne uma programação gratuita que começou na última quinta-feira (16) e segue até 1º de agosto. Ao longo de mais de duas semanas, a iniciativa levará apresentações artísticas, rodas de conversa, oficinas, ações de empreendedorismo, saúde, bem-estar e proteção social a diferentes espaços da capital.

O ponto alto da programação será o espetáculo Ancestranças, no dia 26 de julho, na Praça Maria Felipa, no Comércio. O show terá curadoria e apresentação da cantora Larissa Luz, que receberá convidados em uma celebração da cultura, da memória e da potência das mulheres negras.

Neste ano, o circuito adota como conceito “Do Corre à Plenitude”. A proposta reconhece a trajetória de luta das mulheres negras, mas com atenção para o fato de que elas também merecem o direito ao descanso, lazer, cuidado, prosperidade e realização pessoal. Esse tema será o norte de toda a programação pensada pela gestão municipal para contemplar diferentes dimensões da vida desse público.

Criadora do evento enquanto secretária de Cultura e Turismo ano passado, a vice-prefeita Ana Paula Matos destacou a consolidação do movimento que chega a segunda edição e já se tornou tradição da capital baiana. “Quando pensamos o Circuito Mulheres Negras em Movimento, queríamos criar muito mais do que um evento. Queríamos construir uma política pública permanente de valorização das mulheres negras de Salvador. Nesta segunda edição, damos mais um passo com o tema ‘Do Corre à Plenitude’, porque reconhecemos a força de quem enfrenta desafios todos os dias, mas também defendemos o direito dessas mulheres ao bem-estar, ao autocuidado, à saúde, à independência financeira, à valorização profissional e à alegria. Plenitude também é política pública. É garantir oportunidades para que as mulheres negras possam viver com dignidade, realizar seus sonhos e ocupar todos os espaços que desejarem. Salvador celebra esse mês de julho com arte, cultura, formação, empreendedorismo e acolhimento, reafirmando nosso compromisso de fazer dessa agenda uma marca permanente da cidade”, pontuou.

Segundo o diretor de Cidadania Cultural da Secult, Chicco Assis, o projeto nasceu para reconhecer o papel fundamental das mulheres negras na construção da identidade de Salvador. Para o gestor, a iniciativa vai além da valorização cultural e representa uma importante política pública voltada à equidade racial e ao desenvolvimento da cidade. :: LEIA MAIS »

Hemoba realiza campanha de doação de sangue e cadastro de medula óssea no TJBA

A Fundação Hemoba realiza, nos dias 21 e 22 de julho, uma campanha de incentivo à doação de sangue e ao cadastro de doadores de medula óssea, em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). A ação acontecerá no estacionamento da sede do Tribunal, localizada na 5ª Avenida do CAB, nº 560, em Salvador.

Durante os dois dias de campanha, a unidade móvel de coleta (Hemóvel) estará no local, das 8h às 17h. A iniciativa visa conscientizar o público sobre a importância da doação regular de sangue. Já entre os dias 23 e 25 de julho, o Hemóvel ficará no estacionamento da Ferreira Costa, localizado na Avenida Luís Viana Filho, nº 6.180, na Paralela, em Salvador.

A unidade móvel é um ônibus adaptado, com estrutura semelhante à de uma unidade fixa. O veículo conta com espaço para triagem clínica, sala climatizada com quatro cadeiras para coleta de sangue, mobiliário e equipamentos específicos, além de uma equipe multidisciplinar formada por 12 profissionais.

Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar mais de 50 quilos e ter entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos devem estar acompanhados dos pais ou de um responsável legal. Pessoas com mais de 60 anos podem doar somente caso já tenham realizado doações anteriormente. No dia da doação, o voluntário não deve estar em jejum e não pode ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores. Também é recomendado não fumar por pelo menos duas horas antes do procedimento, ter dormido, no mínimo, seis horas na noite anterior e evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação. É obrigatória a apresentação de documento oficial com foto, válido em todo o território nacional.

Unidades fixas – As unidades fixas da Hemoba funcionam normalmente nos seguintes horários, na capital e no interior do estado: o Hemocentro Coordenador (sede da Hemoba), de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h30, e aos sábados, das 7h30 às 16h30; o Hospital do Subúrbio, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h30; o Hospital Roberto Santos, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h; e o Hospital Santo Antônio (OSID), de segunda a sexta-feira, das 7h10 às 11h30 e das 13h às 16h

Bahia inicia Campanha de Vacinação Antirrábica para Cães e Gatos

Foi iniciada nesta segunda-feira (20) a Campanha de Vacinação Antirrábica para Cães e Gatos 2026. A ação segue até 31 de agosto, com o Dia D de mobilização estadual marcado para 25 de julho.
A vacinação tem como principais objetivos prevenir casos de raiva humana transmitida por cães e gatos e eliminar a circulação das variantes caninas do vírus da raiva, protegendo tanto os animais quanto a população.
Para este ano, a expectativa é imunizar cerca de 3,4 milhões animais em todo o estado, sendo 2,5 milhões cães e 861.500 gatos. A vacinação é gratuita e destinada a cães e gatos a partir de três meses de idade, desde que estejam em boas condições de saúde. Os locais e horários de vacinação serão divulgados pelas Secretarias Municipais de Saúde.
A Sesab orienta os tutores a procurarem os postos de vacinação durante o período da campanha e manterem a vacinação dos seus animais em dia. Além de proteger cães e gatos, a imunização representa uma importante medida de saúde pública, contribuindo para a prevenção da raiva humana.
Situação da raiva animal na Bahia
Até 17 de julho de 2026, o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA) diagnosticou 61 casos de raiva animal no estado, distribuídos da seguinte forma:
* 21 morcegos (dos quais apenas um era hematófago);
* 13 bovinos;
* 12 raposas;
* 11 equinos;
* 3 cães;
* 1 gato.
O último caso de raiva humana no estado da Bahia ocorreu no ano de 2017, na cidade de Paramirim.

Gastrobar em Itacaré participa de festival de coquetelaria e recebe bartender eleita uma das maiores do Brasil

Coco Pimenta integra da 2a edição do ‘Itacaré On The Rocks’ entre os dias 24 e 26 de julho e promove drinks autorais, música e experiências

Famoso pela sua gastronomia contemporânea e carta de drinks exclusiva, o Gastrobar Coco Pimenta entra para a 2ª edição do ‘Itacaré On The Rocks’, festival de coquetelaria da Bahia que promove o intercâmbio entre bares locais e mixologistas nacionais premiados, entre os dias 24 e 26 de julho, no município do litoral sul do estado.

Localizado na movimentada Praça dos Cachorros, a poucos metros da Praia da Coroa, o Gastrobar recebe a mixologista paulista Laís Ladrine, profissional com passagens por prestigiados bares da América Latina e listada no ranking dos 50 melhores bartenders do Brasil pelo campeonato World Class, organizada pela Diageo.

Com um estilo que reinterpreta os clássicos da alta coquetelaria com ingredientes regionais e influências afro-brasileiras, Ladrine vai colaborar com os bartenders residentes Brenda Zaniolo, Jhuan Marko e Raick Breno na criação de bebidas alcoólicas e não alcoólicas que valorizam os insumos locais e a identidade do gastrobar, além de compartilhar técnicas e receitas.

“Eu sigo uma linha de identidade e personalidade em meus drinks, usando como referência a cultura afro-latina e história local. No ‘On The Rocks’, eu levo para o Coco Pimenta dois drinks não alcoólicos. Em um eu faço alusão a um instrumento usado na capoeira que é o ‘Caxixi’, que vai água de coco, abacaxi e caju. O segundo drink é o ‘Marujada’, que é uma festa popular da Bahia, nele eu uso um blend de chás temperados, maracujá e falernum. Para os coquetéis alcoólicos, resolvi homenagear Gilberto Gil, que é um grande ícone da nossa música, então criei o “Sarará Miolo”, “Kaya N’ Gan Daya” e “Back In Bahia”, onde trabalho o whisky, cachaça branca e vermouth com frutas como cupuaçu, acerola e graviola”.

Durante os três dias do ‘Itacaré On The Rocks’, o Coco Pimenta vai se tornar um laboratório da mixologia e palco de food experience e música. O estabelecimento – que também participa do Festival Sabores de Itacaré – abre o seu menu com opções de massas artesanais, frutos do mar e grelhados, pratos que harmonizam com os coquetéis criados.

“Para o Coco Pimenta, participar do ‘On The Rocks’ é uma oportunidade muito especial. A gente acredita que a gastronomia e a coquetelaria caminham juntas, e receber uma mixologista de fora traz um novo olhar, novas técnicas e novas experiências para compartilhar com o nosso público. Vamos oferecer uma experiência completa, onde os drinks foram pensados para harmonizar com os sabores do nosso cardápio, valorizando os ingredientes, a criatividade e a identidade da nossa marca”, disse Léa Baptiston, chef e sócia proprietária do Coco Pimenta. :: LEIA MAIS »

Empresas que usam IA precisam redobrar cuidados fiscais após nova política da Receita Federal

O uso de inteligência artificial pelas empresas já faz parte da rotina de departamentos financeiros, contábeis e tributários, mas o avanço dessa tecnologia também está transformando a forma como o Fisco acompanha o cumprimento das obrigações fiscais. A Receita Federal publicou a Portaria RFB nº 647, que institui sua Política de Inteligência Artificial e estabelece diretrizes para o uso de IA em auditorias e procedimentos administrativos. Na prática, a medida amplia a capacidade de fiscalizar, sem criar novas obrigações tributárias para os contribuintes.

A principal mudança está na forma como a Receita poderá analisar informações já disponíveis em seus bancos de dados. A inteligência artificial permitirá cruzamentos mais rápidos e sofisticados entre declarações, documentos fiscais eletrônicos, escriturações contábeis e fiscais, folha de pagamento e outras obrigações acessórias. Sistemas como a Malha Fiscal Digital, o AUDOT e muitos mecanismos de cruzamento de dados tendem a ganhar ainda mais eficiência na identificação de inconsistências e contribuintes com maior risco fiscal.

Apesar desse avanço tecnológico, a portaria estabelece que a inteligência artificial não poderá substituir a autoridade fiscal. O sistema poderá apontar divergências, indicar operações suspeitas e sugerir a abertura de procedimentos de fiscalização, mas a constituição de créditos tributários e a aplicação de penalidades continuam sendo atribuições exclusivas do agente público, conforme o Código Tributário Nacional.

A nova realidade reforça a necessidade de fortalecer a conformidade fiscal, especialmente entre aquelas que já utilizam inteligência artificial em seus processos internos. Cristiano Borges, conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade da Bahia (CRCBA) e especialista em segurança da informação, alerta que o uso dessas ferramentas não transfere a responsabilidade pelas informações prestadas ao Fisco. “Erros de classificação tributária, utilização de legislação desatualizada, respostas baseadas em fundamentos inexistentes, ausência de rastreabilidade e divergências entre obrigações acessórias podem resultar em riscos relevantes, sobretudo quando um equívoco é replicado automaticamente em milhares de operações”, destaca.

Outro ponto de atenção é a governança de dados, pois em um ambiente de fiscalização cada vez mais orientado por IA, a qualidade das informações passa a ser tão importante quanto o correto recolhimento dos tributos. Cristiano Borges ressalta que as empresas devem realizar cruzamentos internos antes da entrega das declarações, revisar periodicamente cadastros de produtos, clientes e fornecedores, manter documentação que sustente suas posições tributárias e acompanhar constantemente alterações na legislação. Além disso, a realização de auditorias preventivas e a adoção de indicadores de conformidade são capazes de identificar falhas antes que elas sejam detectadas pela Receita Federal.

A inteligência artificial também exige políticas internas bem definidas nas empresas. O especialista em auditoria recomenda que decisões tributárias relevantes continuem sendo revisadas por profissionais qualificados e que todas as conclusões produzidas por sistemas automatizados sejam validadas em fontes oficiais. Assim, empresas devem evitar inserir informações fiscais, financeiras ou pessoais em plataformas públicas de IA sem garantias de segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Contratos com fornecedores dessas soluções também precisam prever cláusulas sobre confidencialidade, responsabilidade por falhas, atualização da legislação e continuidade dos serviços. :: LEIA MAIS »

DECOLORES – FIGURAS DA NOSSA TERRA

Capítulo 1 — O Profeta

Personagens reais que ajudaram a construir a memória afetiva de Ilhéus

Dizem que recusou uma vida de regalias para viver na simplicidade, encontrando na própria solitude o conforto que muitos jamais encontrariam em palácios. Preferiu a reclusão voluntária, como os antigos eremitas, fazendo do silêncio a sua companhia, da liberdade o seu patrimônio e da contemplação uma filosofia de vida. Talvez por isso ninguém jamais tenha conseguido explicar quem realmente foi Seu Luís. Em uma cidade onde realidade e ficção caminham de mãos dadas desde Jorge Amado, ele deixou de ser apenas um homem para transformar-se em lenda.

Toda cidade possui ruas, praças, monumentos e prédios históricos. Mas apenas algumas são capazes de transformar pessoas comuns em personagens eternos. Ilhéus sempre foi assim. Antes mesmo de Jorge Amado imortalizar seus coronéis, prostitutas, pescadores e sonhadores, a cidade já colecionava figuras que pareciam ter escapado das páginas de um romance. Homens e mulheres que nunca ocuparam cargos públicos, jamais receberam homenagens oficiais, mas conquistaram aquilo que poucos alcançam: permanecer vivos na memória de um povo.

Entre todos eles, talvez nenhum tenha sido tão misterioso quanto aquele homem que caminhava lentamente pelas ruas do centro com um cajado nas mãos, longas madeixas lembrando um rastafári, barba branca dividida ao meio, óculos cuidadosamente remendados com fita adesiva e vestes que recordavam os antigos franciscanos. Seu semblante misturava serenidade e distância, como se enxergasse um mundo invisível aos olhos da maioria. Chamava-se Luís. Mas para Ilhéus ele nunca precisou de sobrenome. Bastava dizer: “Lá vai o Profeta.”

Quem estudou nas imediações do Ginásio de Esportes Herval Soledade entre as décadas de 1980, 1990 e o início dos anos 2000 certamente cruzou com ele inúmeras vezes. Eu fui um desses estudantes. Passei pela Escola Municipal Heitor Dias, pela Escola Perpétua Marques, pela Cruzada do Bem e pelo Instituto Municipal de Ensino. Em todas essas escolas havia uma certeza silenciosa: em algum momento do dia encontraríamos aquela figura caminhando calmamente pelas ruas ou recolhida em seu pequeno abrigo.

Seu lar não era exatamente um barraco.

Era um pequeno refúgio improvisado, discretamente escondido sob a escadaria lateral do Ginásio Herval Soledade. Tão discreto que muitos atravessavam diariamente aquele espaço sem imaginar que ali vivia alguém. Talvez justamente por isso tenha permanecido tantos anos naquele lugar. Nunca incomodava ninguém. Não pedia esmolas. Não fazia algazarra. Parecia existir um acordo invisível entre a cidade e aquele homem que havia decidido viver às margens do mundo sem jamais abandonar Ilhéus.

As crianças, naturalmente inquietas, nem sempre compreendiam aquele silêncio. Corriam atrás dele, gritavam “Beato Salu!”, repetindo uma expressão popular da época, jogavam pequenas pedras e faziam travessuras próprias da infância. Ele raramente respondia com irritação. Na maioria das vezes limitava-se a seguir seu caminho, protegido por uma serenidade que parecia impossível de ser abalada. Quando respondia, quase sempre era através de frases que mais pareciam provérbios.

Eram justamente essas palavras que alimentavam o mito.

Contavam que falava iorubá com impressionante naturalidade. Outros garantiam que dominava filosofia e teologia como poucos professores universitários. Havia quem jurasse que conhecia profundamente as Escrituras Sagradas e discutia religião com sacerdotes, pastores e estudiosos. Ninguém sabia exatamente onde aprendera tanto. Também ninguém sabia ao certo se tudo aquilo era verdade. Mas, em Ilhéus, algumas histórias jamais precisaram de provas para continuarem vivas.

O ilheense Anacleto Barreto, que conviveu com Seu Luís durante muitos anos, preserva algumas lembranças preciosas daquele convívio. Quando alguém lhe desejava bom dia, respondia com humildade desconcertante: :: LEIA MAIS »

DO FUNDO DO BAÚ DE JOSÉ LEITE.

1) 66 ANOS DE JOSÉ LEITE EM ILHÉUS.

2) PONTE ILHÉUS/PONTAL (4ª PARTE DE UMA SÉRIE DE 10).

3) NOVA DIRETORIA DO ROTARY CLUBE DE ILHÉUS CENTRO.

4) AS FOTOS DESTAQUES DA SEMANA. :: LEIA MAIS »

Lançamento de livro sobre Educação Física antirracista reúne educadores, pesquisadores e fortalece debate sobre relações étnico-raciais em Salvador

O lançamento do livro Educação Física e Matrizes Africanas: Por uma proposição crítico-superadora e antirracista, da professora, pesquisadora e doutora em Educação Josiane Cristina Climaco – e com o prefácio da maior referência no campo da Educação Física, a Profa Dra Celi Nelza Zulke Taffarel e a apresentação do Prof Billy Malachias – USP / CEERT, – reuniu educadores, pesquisadores, estudantes e representantes do movimento negro em uma tarde marcada por reflexões, diálogo e celebração da produção intelectual negra. O evento aconteceu na Praça Neguinho do Samba, durante a programação do Redes Alvorada, promovido pelo Instituto Cultural Alvorada Bahia, e consolidou a obra como uma importante contribuição para o fortalecimento da educação antirracista no país.

Publicado pela Editora Revista África e Africanidades, o livro é resultado da pesquisa de doutorado desenvolvida por Josiane na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e propõe uma nova leitura da Educação Física brasileira a partir das matrizes africanas, defendendo uma formação docente comprometida com o enfrentamento ao racismo e com a valorização das contribuições históricas e culturais dos povos africanos e afro-brasileiros.

Durante o lançamento, Josiane destaca que a construção da obra representa um esforço coletivo, fundamentado nas lutas históricas do movimento negro e na experiência de professores que desenvolvem práticas pedagógicas antirracistas nas escolas públicas. “O livro é fruto da minha tese, mas não é um trabalho solo. Ele reúne as vozes de professoras e professores de Educação Física que já desenvolvem práticas antirracistas, muitas vezes invisibilizadas dentro da própria escola. É uma construção coletiva”, salienta.

A autora também reforça que pensar uma Educação Física antirracista significa compreender que a escola precisa dialogar com a realidade da maioria dos seus estudantes.”A gente tem que aprender a lidar com o nosso povo. Se eu estou na escola e essa escola é majoritariamente negra, mas eu não pauto as relações étnico-raciais, eu estou preterindo. E preterir também é uma dimensão do racismo.”

Ao apresentar os fundamentos da obra, Josiane explicou que sua proposta amplia o debate tradicional da Educação Física ao incorporar o enfrentamento ao racismo estrutural como elemento indispensável da formação docente. “A proposta é crítico-superadora porque faz a crítica à sociedade capitalista, mas também é antirracista porque precisamos demarcar que, além da desigualdade social, vivemos os impactos do racismo estrutural e institucional.”

Outro momento marcante foi a homenagem prestada à professora e pesquisadora Eliane Cavalleiro, uma das principais referências nacionais em educação antirracista, cuja presença emocionou a autora. “É muito gratificante ver aqui Eliane Cavalleiro, uma das grandes referências deste livro. Não podemos falar de educação antirracista sem reconhecer intelectuais como ela, que abriram caminhos para que pesquisas como esta existissem.”, declara Josiane.

Ao longo da conversa com o público, Josiane também defendeu que a Educação Física escolar deve ir além do ensino das práticas esportivas, tornando-se um espaço de formação crítica e cidadã. Segundo ela, discutir esporte, cultura corporal e relações étnico-raciais é também enfrentar o racismo, o sexismo e outras formas de desigualdade presentes na sociedade. :: LEIA MAIS »

 A Retomada dos Guaiamuns “Assaltantes” 

Era uma noite de lua cheia, mas que a natureza, com seu sábio relógio, adora pregar peças em turistas desavisados e desinformados. Ilhéus, rainha do sul da Bahia, cercada por manguezais que parecem saídos de um quadro de Tarsila do Amaral, entrava no famoso período da andada. Para quem não sabe, a andada é o momento em que os guaiamuns, aqueles caranguejos azuis grandalhões, com pinças que parecem alicates de mecânico, resolvem que está na hora de fazer amor. E, para isso, eles saem em massa dos mangues, atravessam ruas, invadem quintais, restaurantes e, claro, hotéis.

O Hotel Pousada Terras do Sem Fim, charmoso, com apartamentos térreos bem próximos da praia, se tornou o paraíso de turistas incautos.

O nome “Terras do Sem Fim” já deveria ter sido um aviso: aqui o misterioso acontece com os hóspedes que despretensiosamente desconhecem as regras da natureza litorânea.

O casal em questão, vamos chamá-los de Seu Jorge e Dona Maria ambos com aquela cara de quem “merece umas férias tranquilas, chegaram cheios de expectativas românticas. Malas abertas, chinelos Havaianas premium jogados no chão, toalhas particulares, cheirosas, prontas para serem esticadas na areia e, o pior de todos os pecados capitais em época de andada: a porta da varanda térrea foi esquecida escancarada “para sentirem a brisa do mar”.

Deixa aberta, Jorge! Tá tão abafado! disse Maria, abanando o decote com o cardápio do restaurante.

Eles foram jantar. Moqueca apimentada, caipirinha, violão ao fundo, tudo perfeito. Enquanto isso, lá fora, uma legião de guaiamuns de elite, os mais abusados do manguezal, farejava o ar. “Tem cheiro de chinelo novo, de pasta de dente mentolada e de mala aberta com roupa limpa. É hoje!”

Quando o casal voltou do jantar, de mãos dadas e com aquele sorriso bobo de quem comeu bem demais, o cenário era outro.

Primeiro veio o barulho. Um clac-clac-clac ritmado, como se alguém estivesse batucando com talheres na pia.

Que isso, Jorge? O ar-condicionado tá com defeito?

Eles acenderam as luzes.

O que viram jamais será esquecido enquanto viverem.

Havia uns quinze guaiamuns de tamanho respeitável (alguns pareciam ter feito academia no mangue) passeando pelo apartamento como se tivessem comprado o imóvel. Um deles, o líder, claramente, estava empoleirado na pia do banheiro. Tinha subido pela toalha felpuda branca como um alpinista profissional e agora tentava, com pinça cirúrgica, abrir o tubo de Colgate Total 12. Outro, mais romântico, se instalara dentro do box do chuveiro, abrindo e fechando as pinças como segurança de balada: “Pode entrar, mas não faz gracinha”.

O mais audacioso de todos tinha arrastado um chinelo Havaianas Topázio (R$ 89,90 na promoção) para debaixo da cama, provavelmente para usar como ninho ou troféu de guerra. Dois outros haviam entrado nas malas abertas e faziam um inventário minucioso das cuecas e sutiãs, revirando tudo com a delicadeza de fiscais da Receita.

Meu Deus do céu, Jorge! Os caranguejos invadiram! gritou Maria, subindo na cama como se fosse um navio afundando.  :: LEIA MAIS »

DO FUNDO DO BAÚ DE JOSÉ LEITE.

1) 66 ANOS DE JOSÉ LEITE EM ILHÉUS.

2) 60 ANOS DA PONTE ILHÉUS/PONTAL (3ª PARTE).

3) AS FOTOS DESTAQUES DA SEMANA. :: LEIA MAIS »

Cerimônia marcou início simbólico da nova gestão da UFSB para o período 2026-2030

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) realizou a solenidade de transmissão de cargo ao reitor Fabrício Berton Zanchi e de posse da vice-reitora Caroline Caputo nesta quinta-feira (09), no Auditório do Centro de Cultura de Itabuna Adonias Filho. Com presença de autoridades da política e da academia, servidores, estudantes e familiares, a cerimônia marcou o início simbólico da nova gestão. O professor Fabrício foi nomeado e tomou posse do cargo de reitor no final de maio, enquanto o mandato do vice-reitor Francisco José Gomes Mesquita se encerrou agora em julho.

A mesa de honra foi composta pela gestão anterior, com a professora Joana Angélica Guimarães da Luz, ex-reitora, e o professor Francisco José Gomes Mesquita; o reitor Fabrício Berton Zanchi; a vice-reitora Caroline Caputo; o representante docente, professor Marcos Bernardes; a representação dos técnicos administrativos, Edinelvan Batista Lima; e a representação dos discentes, Karl Kaiapó Valente. À formação da mesa se seguiu a exibição de um vídeo institucional produzido pela Assessoria de Comunicação Social (ACS).

55385180201 068b4b73a1 cAs leituras e assinaturas do termo de transmissão de cargo de reitor e de posse da vice-reitora foram realizadas pelo pró-reitor de Gestão de Pessoas, Mateus Alves da Silva Oliveira. A professora Joana Angélica e o reitor Fabrício Zanchi assinaram a transmissão de cargo de reitor, e o reitor e a vice-reitora Caroline Caputo firmaram o termo de posse no cargo. Após as assinaturas, foi exibido um vídeo institucional de boas vindas à nova gestão, produzido pela ACS.

A cerimônia foi transmitida pela Coordenação de Multimídia da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) e está disponível pelo canal do Auditório Virtual da UFSB no Youtube.





















WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia